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Olha só que interessante esta casa, ou melhor, este conjunto de construções exposto na Feira Internacional para o Meio Ambiente (Fiema), em Bento Gonçalves. Executado em madeira certificada, o projeto desta vila sustentável congrega, em meio a estandes que apresentam tecnologias e pesquisas brasileiras e de 10 países, elementos arquitetônicos em torno de uma grande praça, com atividades culturais e comerciais. Até aí, nada tão diferente da disposição urbana com a qual estamos acostumados.

A diferença, no entanto, reside na organização, posta em prática a partir de um sistema colaborativo (no ano internacional das cooperativas, a ideia vem a calhar). Isso porque, nesta minicidade com práticas em rede, a preocupação com o nosso mundo tornou-se coletiva. Que tal trabalhar pertinho de casa?, sugerem os organizadores. Conseguir habitar com serviços ao alcance da gente, sem ter de percorrer grandes distâncias, também é um exercício de sustentabilidade, portanto.

A regra pra lá de verde vale também para o que a gente não vê, para o que fica nos canos, sob a terra. Segundo os profissionais envolvidos no projeto da habitação, os tratamentos da água e do esgoto não precisam ocorrer lá longe: ao serem realizados nas proximidades, poluições pontuais deixam de atingir proporções do tamanho de uma metrópole. (E aí, diante de um problema, tudo fica mais fácil de ser resolvido, não é mesmo?)

Para completar, as lâmpadas da localidade fictícia são acionadas com energia captada com a ajuda do vento ou da luz solar, distribuída para mais de uma morada. A lógica é simples: o vizinho ajuda a gente, e todos colaboram com o planeta. 

Foto: André Benedetti

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Desde a última sexta-feira, faço parte de um grupo de funcionários da cooperativa que abraçou um nobre propósito: dar aulas de comunicação e informática para uma turma de 11 adolescentes, a partir de um projeto encabeçado pela Responsabilidade Social da Unimed Nordeste-RS.

Com uma pilha de textos no braço esquerdo e outra de DVDs no direito, cheguei na Anjos Voluntários, a instituição onde o projeto está sendo realizado, no bairro atrás do Shopping Iguatemi, antes do combinado: às 13h. Me adiantei para me organizar para a aula que começaria 20 minutos depois. Ao passar pela porta da sala da T9, o nome da turma, a surpresa: todos os alunos estavam à mesa, a postos. Todos.

– Já aqui? – perguntei.

– Sim, estamos prontos para a sua aula, “sor” – responderam em coro.

Ainda com as folhas de papel nos braços, que seriam colocadas em pastinhas a serem entregues aos estudantes, sentei na única cadeira ainda desocupada sob a mira de olhares de um grupo pronto para absorver conteúdo. Enquanto arredava a cadeira, vieram à minha cabeça, desordenadamente, um punhado de frases. “Está calor. Eles tiveram aula em suas respectivas escolas a manhã inteira. Eles poderiam estar de papo sem o menor interesse em mim. Eles não deveriam estar sonolentos, afinal, recém almoçamos?”, pensava eu, cá com meus botões.

Mas parecia que nada neste mundo poderia atrapalhar aquele momento inaugural, em que eles ficariam sabendo, afinal, sobre o que falaríamos no módulo “Comunicação”. (Depois da minha aula, a partir das 15h30min, o Chander Turcatti, da área de Tecnologia da Informação, assumiu o comando da turma com o módulo “Informática”, até o final daquela tarde. Nas próximas sextas-feiras, outros profissionais da Unimed participantes do projeto vão se posicionar diante do quadro-negro, em um revezamento. Cristian Paim Borges (Informática), Márcia Vial, Daiane Bordin e Cláudia Paulmichl (Comunicação) também vão ministrar conteúdos. A proposta vai se estender assim até novembro nesta espécie de centro ocupacional que é a Anjos Voluntários, com as tardes de sexta sempre divididas em duas aulas: eu e depois o Chander em uma tarde, a Márcia e o Cristian em outra, a Daiane e o Chander na seguinte e a Cláudia e o Cristian na posterior – e assim por diante.)

– Meu nome é André, sou jornalista, tenho 35 anos... – disse, às 13h05min, segundos antes de ser cutucado pela menina sentada logo ao meu lado, à esquerda (há apenas uma grande mesa para todos).

– Tu conhece Nova York, “sor”? – interrompeu-me ela, em sussurros.

– Não conheço – respondi. E continuei: – Mais sobre mim está neste texto que redigi, a respeito de minhas idiossincrasias, e é algo assim, sobre a vida de vocês, que eu gostaria que cada um escrevesse, como tema de casa para o próximo encontro.

– Vamos fazer uma brincadeira? – perguntou de bate-pronto a menina à minha direita, a mais falante de todos. – Não vamos assinar os textos, aí o “sor” e todos os demais terão de adivinhar de quem é cada um deles, pode ser?

– Pode ser – consenti, enquanto a pergunta “Tu conhece Nova York, ‘sor’?” ainda martelava minhas têmporas.

A resposta à minha inquietude veio em seguida, quando levantei os olhos para a plateia cheia de interesse, lembrando da pergunta sobre Nova York. Nessa hora, comprovei o que pensara dias antes: o projeto na Anjos Voluntários foi criado não apenas para que garotos e garotas de 14 e 15 anos aprendam a pontuar uma frase ou a escrever uma boa redação, ou a desenhar cartazes, ou a mexer habilmente no Word. A proposta está aí para aproximar das realidades desses meninos e meninas um mundo ao qual eles não têm acesso – seja por falta de oportunidade, por ainda serem adolescentes ou por não terem condições econômicas.

Claro que tanto interesse por parte de um grupo tão jovem tem limite. Lá pelas tantas, um guri embalou um aviãozinho de papel em direção à cabeça de outro – afinal, são adolescentes! Como eu vi a cena, os dois ficaram vermelhos, sem lembrar que eu também fui piá, que eu também atirei aviãozinho e, confesso, que talvez atiraria novamente se não tivesse que dar exemplo naquele momento. Afinal de contas, as rotinas profissionais não são tão sérias como eles imaginam, assim como não são tão sisudas como muitas de suas trajetórias pessoais.

– A vírgula serve pra isso, “sor”? Simples assim? Por que, então, minha professora de Português nunca me explicou desse jeito? – indignou-se uma das estudantes.

– Aquela professora estava mais interessada na festa do fim de semana do que em corrigir nossos textos – retrucou um colega.

Mais do que ensinar aposto e vocativo na aula sobre vírgula, imerso em um sistema com suas conhecidas falhas, acho que pude apresentar, já no primeiro encontro, novos e coloridos horizontes a esses adolescentes cheios de vontade de prestar vestibular – mesmo com um aviãozinho de papel cortando os ares da sala de vez em quando.

Será que conseguiremos ajudá-los a trilhar caminhos justos e dignos? Nem em novembro próximo saberemos. Enquanto o futuro não chega, é preciso dar tempo ao tempo e algumas doses de dedicação extra a quem está disposto a aprender e nem sempre tem um tutor disposto a falar a sua língua. A língua, diga-se de passagem, de todos os anjos, não apenas dos que são voluntários. (André Benedetti)

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Não é qualquer povo que reverencia seu maior evento, ainda mais em tempos de globalização, no século 21. Os caxienses, porém, têm orgulho da Festa da Uva e de tudo o que gravita em torno dos grãos da fruta no auge de sua safra. Da paralisação diante da escolha da rainha ao desfile no centro da cidade, eternamente marcado por ter sido a primeira manifestação transmitida pela TV brasileira ao vivo e a cores, em 1972, muito se conhece desta população durante as duas semanas em que as vitrines em tons de uva e o sotaque dos agricultores dividem as atenções com os produtos chineses comercializados nos Pavilhões, em estandes criados para fazer a economia deste município próspero girar ainda mais.

Dia desses, o primeiro desfile de 2012 singrou a Rua Sinimbu ladeado por uma multidão de pessoas de todas as origens, com sotaques carregados da herança do dialeto vêneto ou marcados pelo chiado característico dos cariocas, bem representados por excursões acomodadas nas arquibancadas. A Festa da Uva, outra vez, começou. E novamente recebeu o apoio da Unimed Nordeste-RS, que aproveitou o momento para refrescar a plateia: promotoras distribuíram aos espectadores leques nos quais aparecem estampados, em uma das faces, os rostos das soberanas do evento – presenteadas com planos de saúde desta cooperativa médica.

– Conhece esta moça? – perguntou um senhor na fila de acesso às arquibancadas, na Praça Dante, enquanto apontava para a rainha, ao centro da foto do leque.

– Sim – respondi, sem entender o questionamento.

– Eu sou o sogro dela – disse ele. – E este aqui ao lado é meu filho, o noivo dela – completou, enquanto abraçava seu rebento.

Esse orgulho em relação às soberanas não se restringe apenas aos familiares das eleitas: ao acenar para o público num gesto clássico das misses, na Rua Sinimbu, o trio colhe uma simpatia anônima, transmitida copiosamente por olhares sorridentes. Quem já desfilou no Centro certamente experimentou uma pontinha dessa troca entre quem vê e quem é visto – e não precisa ir longe para encontrar alguém com essa experiência. Anos atrás, funcionários da Unimed saíam da região próxima à Medicina Preventiva e flanavam pelo asfalto até a Rua Coronel Flores vestidos com a camiseta da cooperativa. Ora eles entregavam balões, ora cata-ventos, ora revistas Vida é Unimed. Ora, diga-se a verdade, muita alegria ao povo. E recebiam sorrisos. Não por nada a lista de interessados em participar dessa ação era sempre grande: todos queriam não apenas marcar presença na festa de sua cidade em posição privilegiada, mas também celebrar em nome de sua empresa, de seu trabalho.

Depois de a organização da Festa da Uva extinguir o pré-desfile, encabeçado pelas empresas do município, os funcionários pararam de desfilar pela Unimed. Nem por isso é preciso deixar de lado a satisfação de outrora. Neste ano, nos Pavilhões, a cooperativa montou um estande onde ocorrem brincadeiras, oficinas e entrega de brindes. Se você quer relembrar outras Festas, ou mesmo deseja saber como a Unimed está atuando no maior evento de Caxias, dê uma passada no estande deste plano de saúde, a fim de festejar a cor verde do nosso lugar. (André Benedetti)

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